sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Pequeno Príncipe

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

Cartão de aniversário que chegou um pouco atrasado, mas me fez chorar de felicidade e saudade. Cartão que veio da Char e, tão típico dela, foi postado em cima da hora e por isso me fez terminar a noite do meu aniversário aos prantos, pensando no que eu poderia ter feito pra não receber um 'feliz aniversário' da minha melhor amiga. Mas é claro que não era nada disso.

Cartão que me fez lembrar de nós e perceber o quanto temos uma na outra. E me fez chorar de boba, por não conseguir, o tempo todo, lembrar do que nos prometemos mutuamente: amar e esperar, e, enquanto isso, trabalhar pra que as coisas estejam melhores quando a gente voltar a se encontrar. E que nós estejamos pessoas melhores, mas que sejamos sempre as mesmas.

Veio, mais uma vez, o Pequeno Príncipe alegrar o meu aniversário (mesmo que não na data precisa), ele que me foi sugerido à leitura pelo Luca e emprestado pela Char, e que até hoje, por mais que eu leia e re-leia, me comove. Me comove por verdadeiras as palavras, e lindas, e por me fazer perceber o quão cativa eu sou de determinadas pessoas, e me faz feliz por saber que eu, também, já cativei algumas.

E veio junto um pouco da Char, e um pouco do que eu já deixei impresso nela, pois veio também o Chico, que eu tô sempre cantarolando pelos corredores e que há tanto tempo eu não consigo parar pra escutar, mas que ela levou pra lhe fazer companhia e, talvez, lembrar das muitas coisas que fizemos ao seu som.

'Querendo acreditar que o dia vai raiar / Só porque uma cantiga anunciou'

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

*srta. coração-de-pedra-de-manteiga

SEXTA-FEIRA, 16 DE OUTUBRO DE 2009

À Flora

O príncipe aprende com a raposa que ele é rico de uma rosa, que o cativou. Então ele vai às demais rosas.

- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.

E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda: Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o para vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.

Conhecida esta verdade, a raposa ensina ao principezinho a maior lição que se aprende quando se cativa um outro ser.

- Adeus, disse ele...

- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

O essencial é invisível para os olhos, repetiu o príncipezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o príncipezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... Repetiu o príncipezinho, a fim de se lembrar.

Essa é a maneira que eu aprendi que eu também sou rico de uma rosa. Uma rosa não, uma flor. Uma flor não, uma Flora! Que no meu íntimo é rainha de tanta coisa. Que no meu coração vive. Uma Flora que me cativou, e por quem eu serei eternamente responsável...

Parabéns por mais um ano, Flora da família Valls!

Cheers!
(créditos pro Lu que, muito mais que me desejar feliz aniversário, me fez lembrar como é bom ter um amigo de verdade, dos que não precisa estar por perto pra se fazer presente.)